Porto: três dias, quatro francezinhas

Se a procura por boas francezinhas em Lisboa já foi iniciada (aqui e aqui), uma ida ao Porto não pode dispensar este prato típico. Tínhamos quatro refeições a fazer e a escolha das quatro francezinhas eleitas não foi fácil. Além de contarmos com sugestões dos locais, munimo-nos previamente das reviews do Projecto Francezinha. Há muitos sites de rating mas este é fantástico, porque há quatro avaliadores e vários critérios (falta-lhe o serviço, vá… que também conta!) e tem um mapa francezónico muito útil a turistas como nós.

Escolher a primeira francezinha foi fácil – nunca dispensamos uma ida ao Santiago. A descoberta foi mais ao menos casual. Em 2008 um grupo de estudantes vai ao porto para uma conferência e aloja-se pelas bandas de Santo Hildefonso. Ao chegar pergunta a uma desconhecia: “Por favor, onde é que se come aqui uma boa francezinha?” e a senhora aponta para o restaurante à nossa frente “no Santiago, claro! Ganhou o prémio este ano!”. Aqui nunca saímos desiludidos. O serviço é rápido e simpático e é claramente a francezinha com melhores entranhas que já provámos! O pão é torrado, o bife grelhado é finíssimo e tenro, a linguiça é muito saborosa e leva também o prémio de melhor queijo. Fazem-se acompanhar de ovo estrelado (que é no entanto opcional) e de batatas fritas caseiras. O único critério ao qual não atribuímos as 5 estrelas é ao molho. É demasiado líquido e nada picante.

Na refeição seguinte optamos por testar um dos espaços que ocupa os top’s do Projecto Francezinhas e fizemos uma caminhada (mais longa do que o esperado e sempre a subir!) até ao Café Onital. Recebe-nos um orgulhoso transmontano, muito simpático que rapidamente percebe ao que vamos e “saem duas francezinhas!”. Neste café familiar as francezinhas tardaram a chegar, mas valeu a pena pois tudo pareceu feito na hora. São enormes e o molho é delicioso. As batatas são caseiras e o molho (não sei se já dissemos) é mesmo de topo! Picante q. b., espesso e muito saboroso. As entranhas também são de grande qualidade, embora não superem as do Santiago. É sem dúvida a francezinha com melhor relação qualidade-preço, 8€. Descemos a rebolar até ao hostel e com vontade de voltar.

A terceira francezinha foi sugestão da nossa anfitriã M. – fomos à Regaleira. Diz-se que as primeiras francezinhas foram criadas e servidas aqui. Já as opiniões online divergem… Há ex-frequentadores assíduos que se queixam da progressiva redução de qualidade após a saída do cozinheiro que durante muitos anos lá trabalhou, mas também há acérrimos defensores que lhe chamam local de culto. A nossa experiência diz-nos que é local e evitar se queremos jantar depois das 21h30, mesmo a um Sábado à noite em que todos os cafés e restaurantes do centro do Porto se encontram de cozinha aberta até tarde. Mesmo tendo passado lá previamente, dando conta da hora a que tencionávamos jantar e perguntando se era necessário fazer reserva, fomos, ao chegar, rapidamente apressados a pedir porque “a cozinha está a fechar”. Trazem-nos uns croquetes e uns rissóis extremamente ensopados em óleo que prontamente recusamos e aguardamos então pelas ditas! Chegaram depressa, tal como as batatas estilo pala-pala mas caseiras; inesperadas mas saborosas. O molho é bastante bom e, embora espante pela falta de homogeneidade, é rico e espesso sem parecer sopa. Já as entranhas deixam muito a desejar, com carne assada e demasiado pão. A meio do jantar e depois de um dos empregados ter recebido um telefonema ao qual respondeu “sim, sim, vou já para casa, estão só aqui três pessoas mesmo a terminar”., apagam-nos as luzes, o que nos dissuadiu de pedir mais o que quer que fosse. Foi um jantar-relâmpago.

Por último, já tínhamos ouvido falar maravilhas do Bufete Fase que consta frequentemente dos primeiros lugares nos vários sites de rankings. Havia fila à porta, mas não demorou muito até nos sentarmos. Enquanto aguardávamos víamos todo o processo de criação das francezinhas. As entranhas estavam já pré-preparadas, à excepção do bife que era frito no momento. O pão era tostado, com um pouco de manteiga e o queijo abundava. Aqui não há ovo o que é uma pena. Tanto o senhor que faz as francezinhas como a senhora que as serve, inspiram uma calma fantástica. Mesmo com a casa cheia e fila de espera, nunca descuraram o seu trabalho. O senhor fazia cada conjunto de francezinhas como se fosse único e a senhora era extremamente atenciosa, tendo bastante facilidade em gerir as salas e as pessoas esfomeadas e ansiosas. Leva boa nota pelo serviço. A francezinha, é boa, mas não é maravilhosa. O molho, líquido, parece só ter tomate. É ácido, pobre e nada picante. As batatas são congeladas mas estavam bem fritas e estaladiças. As entranhas, requentadas, não fascinaram. No entanto, é uma francezinha leve que se come bem sem a sensação de que é preciso descer à Ribeira e voltar para a digerir.

Posto isto, penso que continuaremos a frequentar o Santiago e o Onital para juntar às muitas descobertas que ainda temos para fazer no Porto. Sugestões? 🙂

Por esta altura haverá quem se questione porque não fomos ao famigerado Capa Nega. É que já fomos e não ficamos fãs do serviço industrializado nem do molho tipo sopa.

E agora é tempo de fazer dieta. Até breve!

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