Leite Creme

Há poucas sobremesas consensuais cá em casa e o leite creme é a única que conseguimos partilhar quando vamos a um restaurante! Por isso, no Natal passado, comprámos um ferro de queimar açúcar.

Dez meses se passaram sem nunca termos dado uso à nossa prenda, por falta de lembrança, ou de ovos caseiros extra.

Hoje havia uma caixa de ovos “de compra” a terminar de prazo e o leite creme aconteceu.

Ingredientes (para 6 a 8 taças):

  • 1l de leite meio gordo
  • 150g de açúcar
  • 6 gemas de ovos*
  • 60g de farinha maizena
  • Pau de canela
  • Casca de limão

Deitar o leite numa panela (reservando um pouco numa taça). Adicionar o açúcar, o pau de canela e o limão. Na taça onde se colocou o leite, dissolver bem a farinha maizena. Num prato à parte, bater as gemas.

Quando o leite estiver quente (mas ainda não a ferver) retirar a casca de limão e o pau de canela e adicionar a farinha dissolvida. A partir daqui convém mexer sempre.

Quando o preparado levantar fervura e engrossar até ao ponto desejado, retirar do lume. Deitar umas colheres do líquido quente no prato das gemas mexendo muito bem para não talhar. Depois, deitar (a fio) a mistura das gemas no tacho, mexendo energicamente. Levar de novo a lume brando, durante poucos minutos, sem deixar ferver.

Dispor em taças para arrefecer.

Quando estiver frio poderá polvilhar-se com açúcar e queimar com o ferro próprio ou com o maçarico.

* caso não utilizem as claras para outro fim, poderão congelar. Ficam impecáveis (até para trabalhos improváveis como merengue e suspiros)

Sobre Marmelos…

Desde que nos mudámos para o campo e passámos a trabalhar em casa que temos vivido mais ao sabor da natureza e das estações do ano. Há tempo para ir ao mercado municipal e comprar produtos da época, directamente ao produtor. Assim, sentimos a necessidade de “aproveitar” ao máximo o que a natureza nos pode dar e evitar comprar feito.

A semana passada, numa ida ao mercado, uns marmelos grandes e de casca ainda verde mas limpa, chamaram-nos à atenção. Trouxemo-los para casa e ontem demos-lhes uso!

Como tentamos que nada se perca e que tudo se transforme, o 1,2kg de fruta que comprámos foi aproveitado até ao caroço, literalmente. Assámos metade, reduzimos os restantes a marmelada e com os caroços fizemos geleia! Seguem as receitas.

Marmelos assados no forno

Lavam-se muito bem os frutos, esfregando com um pano se necessário. Numa tábua, cortam-se em fatias finas, reservando os caroços (gostamos da textura da casca depois de cozida, mas se quiserem poderão descascar).

Deitam-se num tabuleiro de ir ao forno, polvilham-se com açúcar e regam-se com vinho do Porto e água*. Coloca-se o tabuleiro no forno a 200ºC até as fatias de marmelo ficarem macias, misturando de vez em quanto para não secar.

*As partes de água e vinho do Porto dependem do gosto pessoal. O importante é não colocar demasiado líquido que faça cozer ao invés de assar, nem deixar secar completamente a fruta, caso contrário queimará.

 

Marmelada

Começamos por avisar que para nós a marmelada não é propriamente uma compota, é uma coisa doce e frutada que se corta com uma faca e se come com requeijão. Por isso precisa de muito açúcar, pouca água e muito tempo até apurar.

Mais uma vez, a MFP foi utilizada, neste caso para evitar que estivéssemos a mexer a panela durante várias horas, sujeitos a queimaduras de doce a ferver.

Eis a aventura da primeira compota…

Colocámos na cuba o mesmo peso de marmelos (fatiados e com casca) em relação ao açúcar e uma pequena parte de água (foi mesmo a olho, mas o correcto seria 1dl por cada kg de fruta). Programámos a MFP para o programa das compotas e fomos à nossa vida.

No final (1h20), o preparado ainda não estava com aspecto de cortar à faca. Usámos a varinha mágica para reduzir os pedaços maiores (mas não deixámos ficar em puré porque gostamos das texturas) e colocámos mais 2h no “bake”, mas com a tampa aberta para evaporar a água mais facilmente.

Quando estava a fazer ponto de estrada e já tinha um ar caramelizado, transferimos o preparado para uma taça de onde já só vai sair, fatiada, para cima de uma fatia de requeijão de Seia… humm…

 

Geleia de Marmelo

E os caroços? Pois é, não foram para o lixo.

Como tudo foi feito em simultâneo, ao arranjar os marmelos para assar e para a compota, os caroços foram logo atirados para um tacho anti-aderente com água (para retardar a oxidação). Deixam-se ferver durante alguns minutos até começar a espessar um pouco. Depois coa-se o preparado e volta-se a levar o líquido ao lume (agora sim, podem-se deitar fora os caroços e cascas).

Acrescenta-se açúcar (a relação é 1l água para cada kg de açúcar) e mexe-se… mexe-se… mexe-se até ficar com um aspecto gelatinoso.

Cuidado para não deixar chegar a ponto de estrada, pois quando a geleia arrefece pode ficar literalmente em pedra, e portanto inutilizada. True story…

Transferir a geleia para frascos de vidro esterilizados e guardar.

Depois pode ser utilizada para pincelar bolos e tartes, para comer com camembert ou em folhados de chèvre.

Pão com Chouriço

Hoje é Dia Mundial do Pão. Ouvimos isto de manhã e ficou-nos na memória… E que melhor pretexto para gastar o resto do fermento de padeiro comprado para a preparação do… (ups, ainda é segredo, mas se sair bem partilharemos o processo) e o chouriço de Quiaios que há tanto tempo habitava o nosso frigorífico?

E assim tomaram forma os pãezinhos com chouriço do nosso lanche. Não ficaram tão bons quanto sonhámos (as expectativas eram muito altas), mas ainda assim vale a pena partilhar, pela simplicidade do método.

A receita base foi encontrada aqui e utilizámos a máquina de fazer pão (MFP). Não perguntem como levedar de outra forma, somos novatos nos complexos assuntos do pão e muitos factores existem para controlar…

Ingredientes (para cerca de 5 pães):

  • 250ml de água
  • 1 colher de chá bem cheia de sal
  • 1 colher de sopa de fermento de padeiro (fermento biológico)
  • 400g de farinha tipo 55 sem fermento
  • Chouriço fatiado

Deitam-se os ingredientes por esta ordem na MFP e selecciona-se o modo “dought” (amassar e levedar). Deixámos 1h30 (tempo definido pelo programa) mais 1h extra com a máquina desligada.

Por esta altura pode-se pré-aquecer o forno a 230ºC.

Retira-se a massa da cuba para uma superfície polvilhada de farinha. Divide-se em pequenas porções que se abrem em rectângulo. Dispõem-se as rodelas de chouriço por cima de cada uma e dobra-se a massa em três (como se fosse um envelope). Colocam-se os pãezinhos lado a lado no tabuleiro do forno, onde também se insere um recipiente com água (para a crosta ficar estaladiça, diz quem sabe…). Vão a cozer durante cerca de 30 minutos a 180ºC.